Alterações e reformulação de personagem

Confesso que estava bastante insatisfeito com o design do personagem utilizado no protótipo. Era basicamente uma cópia da personagem de Clock Tower, com algumas alterações de cor e cabelo. 

A primeira versão era basicamente isto:


Cenário 01


Embora fosse apenas para uma versão teste do jogo, visando apresentar para minha qualificação, eu imaginei que teria retrabalho para pensar em uma nova identidade para a personagem, então basicamente decidi restruturar logo agora e poupar tempo e esforço no futuro.

A versão preliminar da personagem ficou assim:



Uma das primeiras coisas a fazer foi remover o vestido. Não estava gostando desse estereótipo de mulher/vestido e decidi fazer algo mais casual. Detalhes foram removidos para combinarem melhor com o cenário, que não utiliza muitos pixels. Assim tenho a opção de ir adicionando detalhes tanto em um quanto em outro.

A versão 2 está assim agora:


Cenário 01 - Versão 02

Sinto uma melhora notável na harmonia dos pixels. Ainda terei que fazer algumas alterações, como por exemplo aumentar a porta, que está muito pequena em relação aos outros objetos. Talvez coloque mais um ou dois pixels na mesa, para ficar mais harmoniosa com a altura da personagem.

Por enquanto essa foi a modificação de hoje. Acredito que começarei a animação de andar, ou pelo menos os keyframes. Pretendo fazer algo fluído, em torno de 15-19 quadros. Não gosto de usar esqueletos, mas caso seja necessário, temos o spriter pro.

Eu no quarto.



O Meio gamer continua apolítico, e precisamos mudar isso.


Embora muita coisa tenha mudado, ainda assim podemos dizer que o meio gamer continua extremamente apolítico, pois para muitos, videogames são "apenas lazer e diversão" e não deveriam serem levados a sério, afinal, "política e ideologia são chatas".

Mas aí que você se engana, amiguinho gamer. Estamos falando de uma indústria BILIONÁRIA, que gera muitos empregos e possui lucros que com certeza ultrapassam PIB's de algumas nações. Então por que colocar o assunto para debaixo do pano? Por que não se importar? A vida já é dura demais? Muito trabalho? Chefe brigando? Queremos só chegar em casa, sentar e jogar um GTA V para dar tiro em geral? Pô, isso é bacana, mas também temos que pensar no espectro maior, que nos influencia e muito como consumidores.

Só apresentando um pequeno histórico, eu possuo um XBOX ONE. Sim, eu sei que é um console longe de "vencer a guerra dos consoles", mas eu escolhi tê-lo por motivos ideológicos. Não tolero a postura da Sony e da Nintendo com seus consumidores. Não me importo com resoluções 4k mega ultra porra louca hd full explosion blast, nem com exclusivos que vendem 2 milhões em poucas semanas. Eu quero serviços dignos, afinal, pago por eles e não ao contrário.

Toda essa introdução serve basicamente para contar o que me aconteceu hoje, que foi um fato chato e que me fez lembrar porque evito participar de grupos de internet. Fui indagado pela razão a qual não tenho um ps4, e respondi: "oras, por motivos políticos e ideológicos.". O fato foi motivo para piadas, deboches e risadas sem graça, obviamente justificadas pelo "foi apenas uma brincadeira", afinal, no Brasil, tudo é "apenas uma brincadeira". Isso é o motivo pelo qual estamos nos ferrando sempre e rindo à toa. 

Optar por não ter um videogame X ou Y é uma escolha pessoal. Eu estudei muito, participei de um processo seletivo concorrido, fui aprovado e ganho meu salário como bolsista, o que já é suficiente para justificar o que escolho ter ou não como console. 

Atualmente a indústria é basicamente dominada pela Sony, com seu Playstation 4. Porém a mesma Sony, que possui os jogos motherfucking awesome, está prejudicando a indústria com suas restrições à serviços  de crossplay e também serviços como save em nuvens, etc. Um dos casos mais discutidos foi do fenômeno cultural FORTNITE, na qual a excelentíssima empresa simplesmente não permitiu que os jogadores que tivessem utilizado o mail pelo ps4 pudessem desvincular suas contas. Isso é uma jogada extremamente desonesta, e mesmo que esteja nos termos de contrato, pode ser sim contestada em instâncias oficiais. 

O crossplay é algo que todos querem, afinal, jogar um jogo multiplayer de xbox junto com seu amigo do pc é algo que já acontece, porém a sony continua com essa política, o que me incomoda e muito, e como consumidor, tenho o direito de protestar sim e não consumir seus produtos. "Oras Rick, mas é só você. Você tá se privando da diversão pelo quê?". Sim, sou apenas uma gota no oceano. Mas como dito no longa Cloud Atlas: "O que é um oceano senão composto por várias gotas?". Se os jogadores se incomodassem e tomassem partido, e SIM isso tem a ver com política e ideologia, as empresas iriam rapidamente botar o rabo entre as pernas e prestar serviços melhores.

A Microsoft está fazendo isso. É uma das empresas que mais foi arrogante no começo da geração e pagou caro. Hoje em dia tem os melhores serviços para quem consume seus jogos. O Gamepass embora não seja uma inovação, agregou um valor imenso a seu produto. Por isso escolhi comprar um Xbox one. Não porque sou um "fanboy caixista", mas sim pelo fato de que como consumidor, tenho o DIREITO de escolher como vou gastar meu dinheiro. Talvez o que falta no Brasil, dentre as muitas coisas, seja entender e respeitar o próximo em relação a isto.

Os jogadores precisam sair desta caixa (desculpem o trocadilho) que se encontram e observarem o mundo. Não podemos mais ficar com "apenas jogo por diversão" ou "ai política é muito chata". Política é o que define o rumo de nossas vidas. Ter posições e ideologias nos torna mais fortes perante obstáculos e discussões que poderão vir a acontecer. 

Não estou dizendo para você não ter um PS4, ou um Switch, ou sei lá, um novo atari. O dinheiro é seu, a escolha é sua. Apenas digo que EU escolhi não compactuar, e sim, claro que morro de vontade de jogar Spider Man e God of War, porém como dizem: "vontade é algo que dá e passa". Eu levo a indústria a sério, pois curto o tema de desenvolvimento de jogos e estudo isso no doutorado. Poranto, para mim, faz sim diferença não ter um ps4 em casa. 

Não sei se você chegou até aqui, mas finalizo com a frase do magistral  Henry Thoreau:
"Então, eu digo: Viole a lei. Deixe que sua vida seja uma contrafricção que pare a máquina. O que eu tenho a fazer é cuidar, de todo modo, para não participar das mazelas que condeno”


Agradeço também ao artigo "Videogames e Política são inseparáveis", do excelente site Overloadr, que me inspirou para escrever o artigo.


Eu no quarto.

17 coisas que a pessoa com ansiedade que você ama gostaria que você soubesse.





Primeiramente gostaria de ressaltar que esse artigo não foi escrito por mim, mas sim por Robyn Reisch, no site I <3 Heart Intelligence, que aborda o tema dos transtornos mentais. Eu apenas o traduzi e postei no blog. Não tenho crédito algum por ele, além da tradução.


A ideia de traduzir foi justamente para as pessoas que não possuam domínio do idioma inglês possam ler e se identificar, sendo elas possuidoras de transtornos de ansiedade ou tendo familiares/relativos que possuam e possam compreender o que se passa conosco.

Esse artigo foi muito esclarecedor e talvez se eu tivesse lido há algum tempo, possivelmente alguns relacionamentos, sejam eles românticos ou de amizade, teriam durado mais. Não se trata apenas de apontar para o outro e falar que precisamos ser entendidos e tudo ficará bem; também temos que nos conscientizar da nossa situação, buscando tratamento que nos auxilie a alcançar uma melhor qualidade de vida, possibilitando (e SEI como é difícil) mudar de atitude, ou pelo menos reduzir tais comportamentos. Sempre que leio esse artigo me emociono muito, e queria muito que as pessoas que eu já me relacionei também lessem e pudessem compreender só um pouquinho.

Se você acredita que apresenta quadro de ansiedade ou depressão, é de EXTREMA importância que procure ajuda psicológica. Podemos melhorar sim a qualidade de vida e aprender a conviver e amansar esse animal que vive dentro de nós e a todo momento quer sair destruindo o sofá da sala.

Bem, vamos ao artigo, traduzido e adaptado por mim.

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Amar uma pessoa com ansiedade pode ser confuso, frustrante e até mesmo assustador algumas vezes. Não é uma coisa fácil a se fazer. Porém, como em qualquer amor retribuído, é muito recompensador.

Você ama alguém com ansiedade?

Aqui estão 17 coisas que essa pessoa gostaria que você soubesse:

1 01) Significa MUITO quando você nos escuta sem julgamentos. Nós sabemos que nossos medos nem sempre fazem sentido. Quando você permite que falemos deles, está nos ajudando a entender nosso transtorno.

1 02) Se você notar alguma coisa – um cheiro, uma ação, um lugar – que parece acalmar nossa ansiedade, fale. As vezes não notamos, e necessitamos utilizar todos os recursos que conseguimos.

1 03) As vezes nos sentimos confortáveis em lugares estranhos. Não julgue as coisas que nos passam segurança. Nos incentivem a sermos nós mesmos, livres da culpa.

1 04)  Podemos dar soluções para você nos ajudar em crises de ansiedade. Porém, não é uma boa nos perguntar justamente no meio delas. Converse conosco em momentos calmos.

1 05)  Sabemos que às vezes somos inconvenientes e inconstantes. Não precisa nos lembrar. Estamos sempre nos punindo por isso.

1 06)   Nos sentimos terríveis quando estamos frustrados e descontamos em você. Não é sobre você. É sobre nós.

1 07) Sua calma nos ajuda e muito. Precisamos de estabilidade quando estamos surtando. Seu comportamento pacífico é tranquilizador.

1 08)  Nossa superatenção e vigilância nos deixam cansados rapidamente. Às vezes precisamos de mais quietude e descanso que as outras pessoas.

1 09)  A ansiedade não nos torna estúpidos ou infantis. Mesmo em momento de crises, falando conosco de forma idiota e infantil não ajuda. É irritante e condescendente.

1 10) Amamos quando você nos mostra exercícios de respiração, técnicas de flexibilidade e novas maneiras de pensar que combatem a ansiedade. Mesmo que não funcionem, esse simples gesto mostra que você está do nosso lado.

1 11)  Nossa tendência de pensar sobre tudo (overthink) pode ser uma benção e uma maldição.

1 12) Aceitamos o fato de você não entender nossa ansiedade. Nós também não a entendemos.

1 13) Entendemos que a ansiedade não é lógica. Porém, é um problema físico e tratado com medicamentos. Não responde a fatos. Não podemos deixar de pensar e sentir, embora gostaríamos e muito que isso fosse possível.

1 14) Queremos que você se cuide. Precisamos que você esteja bem.

1 15) Apreciamos sua paciência. Sabemos que não é fácil.

1 16) Logicamente, não morreremos de um ataque de pânico. Mas no momento, parece que realmente iremos! Um ataque de pânico é uma experiência dolorosa e aterrorizante. Parece o fim do mundo.

1 17) Com cuidados próprios, determinação e trabalho duro, somos capazes de tudo.

“Ansiedade é o grande assassino do amor. Ela faz os outros sentirem como se você fosse um homem se afogando agarrado a elas. Querem salvá-lo, mas sabem que serão sufocadas no momento do pânico e se afogarão junto”, escreveu Anais Nin. Pessoas que escolhem permanecer ao lado de quem tem ansiedade são corajosas. Amar alguém com ansiedade requer força, compaixão e a coragem de escolher o amor ao invés do conforto.

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Esse texto me emociona muito, de verdade.

O artigo original pode ser encontrado em:
https://iheartintelligence.com/2017/02/17/loved-one-with-anxiety/

Eu no quarto.

Como a vida acadêmica agravou meu borderline.




Este é um blog feito para registrar o desenvolvimento de um videogame sobre depressão, objetivo do meu doutorado em Ciência da Informação. Mas por quê diabos um blog? Quem usa blog hoje em dia? Aliás, quem lê blogs hoje em dia? Isso não me importa. Vou usar como um espaço para discutir temas sobre saúde mental, Especialmente quando são abordados pelos nossos queridos joguinhos.

Mas hoje não irei falar especificamente do jogo ou de jogos, mas sim de como a vida acadêmica é prejudicial para pessoas com pré disposições à transtornos depressivos. E como me prejudicou. Fui diagnosticado com Transtorno de Personalidade Borderline, que é algo muito chato e severo em alguns casos. Especialmente no que diz respeito à relacionamentos. Qualquer tipo. Estraguei três relacionamentos por puro descontrole emocional, e na época, falta de tratamento. 

Manter as emoções sobre controle é uma luta interna, diária e constante. Em um momento estou feliz e animado, ou seja, a mania. No outro estamos totalmente mal e pensando muitas merdas, que seria a depressão. Isso em um intervalo de 2-3 horas. É terrível. Só quem tem sabe o que é sentir (ou não sentir) isso.

Mas o que a vida acadêmica tem com isso tudo? No meu caso, praticamente tudo. Embora estude um tema que amo, os videogames, constantemente me sinto uma fraude ali dentro do meio acadêmico. Não sou um cara tão inteligente assim, apenas curioso e as vezes até "malandro", procurando atalhos e objetividade para resolver coisas. Diariamente me deparo com pessoas muito mais talentosas e capazes que eu, o que constantemente me faz questionar se realmente essa vida foi feita para mim. 

Obviamente que desenvolvi um pensamento crítico e análitico mais apurado naquele ambiente e também na vida. Porém, sendo honesto, não sei se valeu toda a saúde mental que venho desperdiçado. Ultimamente sinto que estou sozinho, pesquisando um tema que quase ninguém discute, sem muita ajuda e às portas da qualificação, um rito de passagem temido por muitos. Confesso de verdade que minha vontade atual é largar tudo pro alto e me dedicar inteiramente à carreira de game designer, mas... estou ligado como bolsista e preciso ir até o fim.

Além disso, sou orgulhoso e quero terminar o que comecei, já que lutei tanto e batalhei horrores para chegar até aqui. Mas sendo honesto, atualmente venho repensado se meu orgulho vale tanto. Constantemente tenho crises de ansiedade e depressão. Minha visão sobre o mundo é totalmente negativa e sequer consigo sentir qualquer coisa. Crio cenários horríveis envolvendo minha qualificação, na qual serei humilhado por toda a banca, devido à inconsistências e minha incapacide argumentativa. Tive que dobrar minha dose de medicamentos para a bipolaridade, além de estar quase diariamente tomando Rivotril. Semana que vem irei procurar ajuda terapêutica, para ver se consigo reverter esse quadro.

O doutorado se tornou uma obrigação e ao mesmo tempo um martírio. Tento pensar positivamente, que porra, irei discutir um assunto que amo, criar um jogo para ajudar pessoas que passam pela mesma coisa que eu, mas ainda assim, é muito difícil organizar pensamentos de forma coerente. Apenas me sinto isolado cada vez mais, no meu quarto, com meus gatos e meus jogos.

Algumas pessoas tentam ajudar, e reconheço isso, o que às vezes me faz sentir muito pior, pois não quero que se preocupem comigo. Alguns outros acham que é frescura, ou necessidade de atenção. Infelizmente não é. Gostaria muito mesmo que fosse. Pelo menos eu conseguiria "sair" dessa encenação após escrever esse texto. Mas não irei.

Eu no quarto.